A importância de um sorriso
Há sorrisos de vários tipos. O espontâneo, o falso, o da
fotografia, o sexy, o congelado, o aberto, o fechado, dependendo do dono do
sorriso e a quem é dirigido.
Sem dúvida que o
espontâneo, vindo de um adulto ou de uma criança, é o mais bonito e bem
recebido. O falso, se for bem estudado, consegue enganar muita gente. O da
fotografia, também engana, dependendo da habilidade e sensibilidade do
fotógrafo e do estado de espírito do modelo. O sexy, toda a gente conhece e
gosta, venha ele de onde vier. O congelado é o mais perigoso e difícil de
interpretar, não abre nem fecha a boca, simplesmente não mexe, por uma questão
de estética cirúrgica ou porque na realidade, foi cuidadosamente planeado - normalmente
durante horas ao espelho - e cristalizou em gelo, sem nada lá dentro. Também
conheço alguns, não pessoalmente, mas nas fotos das revistas cor-de-rosa que me
põem no colo quando estou sentada no cabeleireiro ou, sem outra alternativa,
nos consultórios médicos. Culpa minha, podia levar um livro. Praticamente todos os
sorrisos estampados nos rostos dos “modelos” são bonitos e aparentemente
felizes, mas sinto-os congelados. Imagino quantos takes o fotógrafo terá que fazer, para conseguir atingir o
objectivo que aumentará as vendas e alimentará o imaginário do público alvo deste
tipo de publicações.
O sorriso fechado e o sorriso aberto, têm muito a ver com a fisionomia de cada um, mas essencialmente com a vontade de sorrir, com o motivo, e a quem esse sorriso é dirigido.
O sorriso fechado e o sorriso aberto, têm muito a ver com a fisionomia de cada um, mas essencialmente com a vontade de sorrir, com o motivo, e a quem esse sorriso é dirigido.
É inacreditável a quantidade de pessoas que não
sorri. Não que esteja à espera de ver toda a gente na rua de sorriso na cara, pareceriam
idiotas, ou de entrar num restaurante e ser recebida por comensais a
sorrir e a comer ao mesmo tempo…mas a ausência completa de um sorriso em
transeuntes que se cruzam na rua e não
só, muitas vezes em situações que obrigam a um “desculpe”, “muito obrigada” ou
“por favor”, leva-nos a pensar como a felicidade é importante na vida das
pessoas. Ou, se felicidade for demais, fiquemo-nos pelo bem estar interior.
Após dois anos sem sorrir por razões que quase todos
conhecem, aprendi que o verdadeiro sorriso vem de dentro de nós. Chamemos-lhe
alma. Alma com dentes ou sem dentes. Lembro-me do sorriso tranquilo da
Avó Emília.
Eileen Salvaçao Barreto