sexta-feira, 20 de maio de 2016

Avó de ontem versus avós de hoje


Tal como a Anabela não sou avó, nem nunca o serei.
Não sei escrever como a Guida, a Jorginha, a Eileen, a Anabela e… estou certa que muitas mais.
Estranhei, portanto, que a Guida me desafiasse para escrever neste blog. Como não sei dizer-lhe que não, resolvi ir repescar algo escrito há já algum tempo. Aqui vai:



Quando, muito sonolenta, esperava no bar do hospital que fossem ter comigo, fui despertada do meu torpor pela voz de uma avó conversando ao telefone com a neta.
O que me acordou não foi tanto o que aquela avó dizia; foi mais o tom meigo, preocupado e cúmplice com que o fazia… tão diferente da maneira como a Avó Sílvia conversava connosco. Não, que a Avó não gostasse, não se preocupasse ou não fosse carinhosa connosco… só que não havia cumplicidade… havia um distanciamento, convenientemente alimentado e mantido pela geração mais velha - talvez com receio de que uma maior aproximação desse azo a faltas de respeito - que nós não ousávamos quebrar.
Pena que assim tenha sido!
São boas as recordações que guardo da Avó. No entanto, não posso deixar de pensar quão diferentes elas seriam, se a nossa relação tivesse sido tão próxima e cúmplice quanto o é a da minha Mãe e irmãs e a da maior parte das minha amigas com os seus netos?




Luísa Mexia