Tal como a Anabela não sou avó, nem nunca o serei.
Não sei escrever como a Guida, a Jorginha, a Eileen, a
Anabela e… estou certa que muitas mais.
Estranhei, portanto, que a Guida me desafiasse para
escrever neste blog. Como não sei dizer-lhe que não, resolvi ir repescar algo
escrito há já algum tempo. Aqui vai:
Quando,
muito sonolenta, esperava no bar do hospital que fossem ter comigo, fui
despertada do meu torpor pela voz de uma avó conversando ao telefone com a
neta.
O que me
acordou não foi tanto o que aquela avó dizia; foi mais o tom meigo, preocupado
e cúmplice com que o fazia… tão diferente da maneira como a Avó Sílvia conversava
connosco. Não, que a Avó não gostasse, não se preocupasse ou não fosse
carinhosa connosco… só que não havia cumplicidade… havia um distanciamento,
convenientemente alimentado e mantido pela geração mais velha - talvez com
receio de que uma maior aproximação desse azo a faltas de respeito - que nós
não ousávamos quebrar.
Pena que
assim tenha sido!
São boas as
recordações que guardo da Avó. No entanto, não posso deixar de pensar quão
diferentes elas seriam, se a nossa relação tivesse sido tão próxima e cúmplice
quanto o é a da minha Mãe e irmãs e a da maior parte das minha amigas com os
seus netos?
Luísa Mexia
Luísa Mexia