quinta-feira, 26 de maio de 2016

Passeando no paredão de Oeiras


Aproveitando o dia de sol – envergonhado e ainda não muito seguro, mas de sol - fui passear para o paredão de Oeiras, enquanto fazia horas para um compromisso.
Talvez porque é pouco provável que repita aquele passeio tão cedo, os meus olhos pareciam ver a paisagem e as pessoas com que me cruzava de maneira diferente. Foi de tal maneira que até então nunca reparara que o forte de S. João das Lampas é bonito, apesar das suas paredes cheias de graffitis.
Numa zona de pedras, junto ao mar, sentada numa rocha, estava uma mulher, a cabeça toda branca, com o olhar perdido no céu e mar à sua frente. Completamente dobrado sobre ela, em equilíbrio instável, um homem, aparentando ser mais velho, passava a mão sobre o seu ombro como que querendo abraçá-la.
Aquela imagem era tão bonita que eu não conseguia afastar dela o meu olhar, e essa minha indiscrição só não foi descoberta porque eles estavam completamente desligados de tudo o que se passava à sua volta.
À medida que ia Lcaminhando e que me aproximava deles, ia tentando imaginar o significado do gesto dele. Ter-se-iam zangado e estaria a tentar fazer as pazes? Será que a queria proteger de alguma coisa? Seria um gesto de carinho num amor serôdio ou num amor de toda uma vida?
Quando já me encontrava muito perto, apercebi-me de que com aquele abraço ele não estava só a confortá-la e a acarinhá-la; parecia que, ao fazê-lo, buscava também algum apoio.
Lentamente, fui-me afastando, sempre com aquela imagem nos olhos e…
Eis que me cruzo com a imagem grotesca de um homem em andropausa avançada, vestindo uma T-Shirt, muito justa, com um desenho e uma frase, completamente desajustados para a sua idade, publicitando o seu físico, convencido, talvez, de que assim atrairia os olhares femininos.
Ao longo da minha caminhada fui-me cruzando com avós que vigiavam os netos a andar de bicicleta, triciclo, skate ou patins em linha, com jovens mães, sozinhas ou em grupos, que passeavam os seus bebés nos carrinhos e com aqueles a quem chamo “os taradinhos da forma física” – os que, só para estarem em “forma” para a época balnear que se aproxima, fazem “paredões” e  “paredões”, sempre a correr, sendo de tal forma evidente o excesso de esforço físico que, por vezes, os seus rostos denunciam algum sofrimento.
 
Luisa Mexia