Aproveitando
o dia de sol – envergonhado e ainda não muito seguro, mas de sol - fui passear
para o paredão de Oeiras, enquanto fazia horas para um compromisso.
Talvez
porque é pouco provável que repita aquele passeio tão cedo, os meus olhos pareciam
ver a paisagem e as pessoas com que me cruzava de maneira diferente. Foi de tal
maneira que até então nunca reparara que o forte de S. João das Lampas é
bonito, apesar das suas paredes cheias de graffitis.
Numa zona de
pedras, junto ao mar, sentada numa rocha, estava uma mulher, a cabeça toda branca, com o olhar perdido no céu e mar à sua frente. Completamente
dobrado sobre ela, em equilíbrio instável, um homem, aparentando ser mais
velho, passava a mão sobre o seu ombro como que querendo abraçá-la.
Aquela
imagem era tão bonita que eu não conseguia afastar dela o meu olhar, e essa minha indiscrição só não
foi descoberta porque eles estavam completamente
desligados de tudo o que se passava à sua volta.
À medida que
ia Lcaminhando e que me aproximava deles, ia tentando imaginar o significado do
gesto dele. Ter-se-iam zangado e estaria a tentar fazer as pazes? Será que a
queria proteger de alguma coisa? Seria um gesto de carinho num amor serôdio ou
num amor de toda uma vida?
Quando já me
encontrava muito perto, apercebi-me de que com aquele abraço ele não estava só
a confortá-la e a acarinhá-la; parecia que, ao fazê-lo, buscava também algum apoio.
Lentamente,
fui-me afastando, sempre com aquela imagem nos olhos e…
Eis que me
cruzo com a imagem grotesca de um homem em andropausa avançada, vestindo uma
T-Shirt, muito justa, com um desenho e uma frase, completamente desajustados
para a sua idade, publicitando o seu físico, convencido, talvez, de que assim
atrairia os olhares femininos.
Ao longo da
minha caminhada fui-me cruzando com avós que vigiavam os netos a andar de
bicicleta, triciclo, skate ou patins
em linha, com jovens mães, sozinhas ou em grupos, que passeavam os seus bebés
nos carrinhos e com aqueles a quem chamo “os taradinhos da forma física” – os
que, só para estarem em “forma” para a época balnear que se aproxima, fazem
“paredões” e “paredões”, sempre a
correr, sendo de tal forma evidente o excesso de esforço físico que, por vezes,
os seus rostos denunciam algum sofrimento.
Luisa Mexia